segunda-feira, 17 de novembro de 2008
saudades
Nunca fui saudosista. Pelo contrário. Sempre achei que a vida anda para frente, que não adianta chorar o leite derramado (depois que derramou) e que o lugar do passado é lá onde ele está: no passado. Mas hoje me peguei nostálgica, olhar perdido nos faróis da rua, ouvindo um CD de músicas muito antigas, trilha sonora dos primeiros anos de adolescente. Senti saudades da minha mãe que traduzia as letras das músicas que eu amava, do meu pai que conseguia entender a beleza de McArthur´s Park, da emoção singela que sentia ao ouvir aquelas músicas, e da inocência de acreditar que a vida seria romântica do jeito que eles cantavam. Por um minuto desejei que uma força superior atendesse os meus pedidos e que eu voltasse a acreditar em finais felizes. E então percebi o tempo que se passou entre os dois momentos e que nada mais será como antes. Me dei conta que acabei de perder meu pai, que já não tenho mãe, e que o amor talvez não seja como ainda hoje eu quero acreditar que seria. Sou uma romântica que acredita em pensamento mágico. E não sei dormir com um barulho desses.
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