sábado, 7 de junho de 2008
Guia é uma praga
O guia coloca uma música turca suave no CD player da van. O som promete ser a trilha sonora perfeita para uma viagem por um dos berços da civilização. Estamos na Capadocia. A paisagem é feita de pedras em forma de chapéu de duende, condomínios da Antigüidade onde morava o povo da Anatolya. Respira-se história. Tudo parece perfeito: meu quarto com muitos mil anos é uma cova encrustada na pedra, vamos andar de balão, vamos conhecer os subterrâneos onde os cristãos se esconderam por décadas da fúria romana. Não é bem assim. Nosso guia é um carrasco que nos obriga a fazer o que ele quer, ver o que ele quer que a gente veja. "Senhoras, senhoras" chama ele com uma voz grave e estridente num espanhol estranho; "Valentino" continua ele. Estamos na Capadocia a trabalho, temos uma matéria para fazer, fotos para tirar, e esse senhor rústico nos arrasta por um infindável mar de pedras, aparentemente igual, nos leva a comer as piores refeições e deixa escapar uma certa irritação quando não prestamos atenção ou não queremos escalar a décima cidade de pedra. Guias podem ser uma praga, necessária numa terra onde só se fala turco.
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