quinta-feira, 13 de março de 2008

Forte Knox

Vinha descendo uma arborizada rua dos jardins, e onde antes estava uma casa amigável, daquelas que te convidam para o cafezinho, cresce uma caixa-forte no melhor estilo Tio Patinhas. Uma construção inóspita, muros com mais de três metros de altura, guarita embutida, e portões altíssimos. Quem está dentro não vê a rua, quem está fora não enxerga o interior. Uma casa desagradável, espremida entre outras igualmente despersonalizadas que poluem a bucólica rua Polônia. É a estética do medo que caracteriza esses nossos anos, essa nossa cidade. O que é uma pena.

pergunta básica

Por que o terrorista que durante a ditadura explodiu uma bomba no Conjunto Nacional, merece receber uma indenização de R$ 400 mil + uma pensão mensal de R$ 1.600, devido aos constragimentos sofridos durante o regime militar, enquanto o rapaz que estava de gaiato na hora que as quatro bananas de dinamite explodiram, perdeu uma perna, foi considerado suspeito, passou por um interrogatório violento e teve a casa invadida e revirada pela polícia miltar, merece ganhar, apenas, uma pensão mensal de R$ 400?
Dos dois, qual foi o que realmente sofreu constragimentos durante o regime militar? O terrorista, que hoje é advogado, e trabalhou para o Partido dos Trabalhadores, ou o gaiato que estava no lugar errado na hora errada, perdeu a perna, teve de abandonar o sonho de ser piloto comercial e é corretor de imóveis?
Desde ontem, quando vi a notícia no jornal da noite, não consigo entender essa lógica...