segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Andando nos Andes

Primeiro será o deserto, as cores do Atacama. Depois a travessia pelos Andes entre o Chile e a Argentina. Andando. A pé. Claro que não é (não deve ser) direto e reto, mas aos pedaços, subindo aqui, descendo ali, trechos de carro, sei lá. Por via das dúvidas fui treinar nas montanhas de Gonçalves, logo ali no sul de Minas. Trilhas no meio da mata, vistas de A Noviça Rebelde, e muito morro acima. Nunca fui velocista, meu lema é "devagar, no meu ritmo", e vou longe, aguento bem. Mas confesso: depois de um ano de fisioterapia por conta de uma distenção no glúteo direito - e lá você sabia que temos três bundas: glúteo alto, médio e mínimo -, conseguida na (aparentemente) inocente aula de yoga, e no exercises allowed, foi duro, bem duro. Eu olhava para cima e via mata, árvore, subida, só. E pensava: quando vai chegar o plano? o coração a mil, o fôlego a zero. E pensava: E lá, céus, será que vou morrer e ser comida pelo condor? pagar o mico de ser resgata de helicóptero? voltar de maca? Mas mesmo na rabeirinha do grupo, não fiz feio, não desisti, não usei atalhos e não fiz manha nem choraminguei.
Agora seja o que Deus quiser, vou subir os Andes e quem sabe virar lhama (não, você não leu errado, não é lama é lhama).

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