quarta-feira, 18 de julho de 2007

Frutos podres

Momentos de horror, imagens, fogo, um rabo de avião, mortos, muitos mortos. No ar da cidade a tristeza sobrevoa, entra pelos póros, dói no coração mesmo de quem não perdeu ninguém. São assim as tragédias. Culpa? (des)culpas? Todas, nenhuma. Identificadas as proporções do desastre, contadas as baixas, começa o empurra-empurra: será a pista, a falta de ranhuras, o piloto? Falha mecânica, técnica, humana? Mais uma investigação está no ar, mais uma CPI, mais uma mezzo-aliche-mezzo-muzzarela. Vão fazer espuma, jogar fumaça e empurrar com a barriga até o esquecimento de todos (menos das famílias e dos amigos das vítimas). E as próximas obras públicas serão feitas com o mesmo descaso de sempre. Quem semeia vento, colhe tempestade, diz o dito. Nós estamos colhendo os frutos amargos que o Brasil plantou com sementes podres, olhar mesquinho, e "vantagismo". Que pena.

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